Energia solar é destaque na Cúpula de Líderes sobre o Clima dos EUA

Por Alexandre Gomes*

A adoção de fontes de energia com baixa emissão de gases efeito estufa foi destaque na Cúpula de Líderes sobre o Clima, realizada nesta semana nos Estados Unidos. No encontro realizado no último dia 22, o uso de energia solar e eólica esteve presente no discurso da maioria dos 40 líderes convidados para o encontro. Estados Unidos, União Europeia e China estão entre as nações que anunciaram metas ambiciosas de investimento para redução carbono com a troca das atuais fontes de energia para fontes renováveis e de baixo impacto.

Tudo para atingir às metas estabelecidas no Acordo de Paris, em 2015. O objetivo é limitar o aquecimento global em 1,5° até 2030. Para isso será necessário reduzir pela metade a emissão de gases efeito estufa no mundo, hoje estimada em aproximadamente 58 gigatoneladas de CO² equivalente. É um número grandioso, mas é uma meta que pode ser atingida pela maioria dos países signatários do Acordo de Paris, do qual o Brasil faz parte.

A descabornização das atuais fontes de energia, para fontes renováveis e de baixo impacto, como a solar e a eólica já fazem parte dos negócios de energia solar no País. A vantagem geográfica que o Brasil possui permite que ele ocupe um lugar de destaque na produção de energia fotovoltaica global e traga desenvolvimento para as áreas que com alta incidência de radiação solar no País.

Para que o setor mantenha seu crescimento é necessária a adoção uma legislação robusta, que traga segurança para os investidores e consumidores e também ampliar o acesso ao uso dessas fontes. O apoio e a conscientização sincronizada dos três setores: governos, empresas e sociedade civil é fundamental para que o Brasil possa participar desse movimento global.

Para se ter uma ideia da contribuição que o setor de energias renováveis pode ter nessas metas basta avaliar o trabalho do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas. No relatório de 2018 o IPCC identificou que as fontes renováveis podem responder por até 85% do total da energia consumida no planeta em 2050. É nessa área que entra a contribuição da energia solar. De acordo com os estudos da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena, na sigla em inglês), até 2050 as usinas fotovoltaicas vão ter capacidade para atender 25% da demanda mundial por energia.

No setor empresarial brasileiro esse caminho já está sendo percorrido. A boa notícia é que ele vem acompanhado por geração de empregos e renda aliado aos lucros para as empresas que participam do financiamento, utilização e geração de energia fotovoltaica. De acordo com a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), a produção de energia solar no Brasil deu um salto de 250% nos últimos quatro anos, para atuais 8,4 gigawatts. Essa energia, que é suficiente para abastecer mais de cinco milhões de casas unifamiliares por ano, ainda tem uma participação pequena na composição da matriz energética brasileira: não ultrapassa 5% do total.

É essa participação reduzida que indica o grande potencial de crescimento que a energia solar pode ter no Brasil no médio prazo. Com uma participação cada vez maior da tecnologia, hoje temos placas fotovoltaicas com menor tamanho e maior capacidade de produção e temos leis federais e estaduais em desenvolvimento que apoiam o desenvolvimento de usinas solares e o aumento da geração de emprego e renda.

Para as empresas que adotam essa matriz de energia com baixa emissão de carbono a economia na conta é significativa. Em média, essa troca de matriz energética pode gerar uma economia de 15% na conta de luz no final do mês. O mais importante é que hoje, no Brasil, essa troca pode ser feita sem nenhum investimento por parte da empresa consumidora. Isso é possível porque já existe uma ampla gama de investidores preocupados não só com um retorno, mas também em qualificar seu portfólio, alocando recursos em tecnologias de baixa emissão de carbono.

O próximo passo depende das empresas que querem reduzir seus custos com energia e ao mesmo tempo participar desse novo modelo econômico. Empresários que não adotarem essa estratégia correm o risco de ficar fora do mapa de competividade global sustentável, que voltou a ser desenhado com traços fortes após o encerramento desse encontro.

Para se ter uma ideia da velocidade dessa mudança no conceito de competividade global, não foi a proposta de investimento público de US$ 2 trilhões em projetos de energia limpa feito pelos EUA que causou mais impacto entre os analistas. Em seu discurso na Cúpula, o presidente da China, Xi Jinping, sinalizou que poderá restringir o comércio com países que não atingirem suas metas climáticas. Até o final desse ano as fontes de energia eólica e solar vão responder por 11% do consumo de energia da China. Atualmente o parque solar chinês é o maior do mundo, com capacidade instalada de 250 GW. Parece ser um bom exemplo a ser seguido.

*CEO da GDSolar