Exclusivo: Sky fecha contrato com GDSolar para fornecimento de energia solar no Mercado Livre

Por Luciana Collet

22/01/2021 – AE ENERGIA

São Paulo, 22/01/2021 – A operadora de TV paga via satélite Sky fechou um acordo de longo prazo com a GDSolar para fornecimento de energia solar para seus centros de transmissão, localizados em São Paulo. O contrato, estabelecido no ambiente de mercado livre, mas que envolve a modalidade de autoprodução, tem prazo de 10 anos e será atendido por meio de uma usina fotovoltaica que será construída pela GDSolar. O valor da transação e os investimentos na central não foram informados.

A energia será fornecida aos centros de transmissão da operadora, localizados em Jaguariúna e em Santana do Parnaíba (SP). Com isso, a companhia terá, a partir do ano que vem, 100% das necessidades energéticas dessas instalações e 93% de sua demanda total atendidas por geração de energia limpa.

“Nosso objetivo maior não é econômico, mas de sustentabilidade”, disse ao Broadcast Energia o vice-presidente de Engenharia, Banda Larga e Experiência do Cliente da Sky, Luis Otavio Marchezetti. “Somos uma empresa pioneira no nosso ramo com objetivo de zerar nossas emissões de carbono até 2030, e o uso de 100% de energia (renovável) nos centros de transmissão que a gente tem faz parte dessa estratégia”, completou.

Marchezetti evitou comentar sobre a potencial economia com custo de energia por causa do contrato. “Não fizemos um cálculo na ponta do lápis porque já era um sonho, nós iríamos fazer mesmo que o custo fosse até um pouco acima”, disse.

Ainda assim, o executivo salientou que a companhia vê um ganho com a maior previsibilidade da linha de despesa, uma vez que o contrato é reajustado pela inflação. O fornecimento atual, atendido pelo mercado regulado, por CPFL e Enel, estava sujeito a variações maiores. “No início podemos dizer que as contas são muito parecidas, mas no longo prazo, para uma empresa como a nossa, a diferença é a previsibilidade porque sabemos os índices que a GDSolar vai praticar”, disse.

O vice-presidente da Sky comentou que o plano de ter um centro de transmissão atendido por energia solar é antigo. A companhia chegou a estudar a possibilidade de instalar painéis solares no telhado ou em área anexa ao segundo centro de transmissão, construído em Jaguariúna entre 2014 e 2016. “Vimos que isso não era economicamente sustentável, era muito caro no Brasil – ainda é – e a manutenção também seria cara, porque não somos especialistas, então abortamos essa ideia na época e optamos por ter apenas a iluminação externa com geração no próprio poste.”

Segundo Marchezetti, a empresa avaliou novamente a possibilidade de instalar um sistema fotovoltaico nos próprios centros de operação, mas mais uma vez considerou que uma solução alternativa era melhor. Pesou o fato de que a companhia poderia se manter conectada à rede de distribuição e com contrato que lhe garante o fornecimento, mesmo em caso de problemas ou de manutenção da usina. “A gente arriscar ter algum problema e ter de lidar com manutenção, não é nem questão de conta econômica, o risco é muito grande.”

Fora do Brasil, outras operações da controladora da Sky, a americana AT&T, também utilizam energia solar. É o caso de uma unidade nos EUA que possui centro de transmissão com usina fotovoltaica no local.

O empreendimento

A nova usina solar fotovoltaica dedicada à Sky terá 7 MW de capacidade instalada e ficará em Andradina, no noroeste de São Paulo, uma das regiões com maior incidência solar no Estado. A construção deve ser iniciada ao longo deste ano, com previsão de início de operações no segundo semestre de 2022. A responsabilidade de construção e operação da usina será da GDSolar. Mas, pelo contrato, a Sky terá a posse da usina, configurando-a como a autoprodutora.

Para a GDSolar, o empreendimento marca a entrada no segmento do mercado livre, com o desenvolvimento de projetos de autoprodução para clientes, adaptando o modelo tradicionalmente utilizado pela companhia, de sistemas de geração distribuída – em que a potência instalada deve ser de até 5 MW. “Estamos muito felizes em ter fechado o acordo com a Sky, porque é a nossa estreia no segmento de autoprodução de energia”, disse o diretor-presidente da GD Solar, Alexandre Gomes.

Segundo o executivo, a vantagem para a Sky com o modelo de negócio está no foco do investimento mantido em seu negócio principal, já que os desembolsos relacionados à usina são feitos pela GDSolar. A empresa também é responsável pela garantia da performance da usina.

Eficiência energética

Os 7% de energia demandada pela Sky que não serão supridos pela usina são consumidos em escritórios, e não há perspectivas de migração dessas unidades para o mercado livre, tendo em vista que as instalações não são próprias. Além disso, o volume consumido é baixo neste momento de pandemia, em que a empresa opera com boa parte de seus funcionários em home office, e pretendendo adotar operações em modelo flexível no futuro. “Como o prédio é automático, desliga se não estiver ninguém, neste momento em que vamos retomar muito devagar as atividades full office não vemos uma necessidade, porém não está fora do nosso radar”, comentou.

Por outro lado, Marchezetti destacou que a companhia também busca avançar na eficiência energética de seus equipamentos decodificadores, que ficam com os clientes. “Em novas gerações de decolders, sempre ficamos olhando muito eficiência, e apesar de consumirem muito, cada watt que coloca a menos é um ganho, e como estão na casa dos nossos clientes, priorizamos o mínimo consumo de energia”, disse. A Sky possui hoje 4,5 milhões de clientes, em praticamente todo o Brasil.

Contato: luciana.collet@estadao.com; energia@estadao.com